A Bataria da Costa š
Hoje venho aqui apresentar uma das vĆ”rias instalaƧƵes militares abandonadas que jĆ” visitei, uma tipologia de instalaƧƵes que tambĆ©m hĆ” em grande nĆŗmero por esse paĆs fora em estado devoluto.
Este local confesso que o descobri por mero acaso, em passagem pela zona marĆtima onde se insere e bem imponente junto a uma das mais famosas praias do paĆs, um lugar onde outrora reinava a disciplina e os audazes valores militares, hoje Ć© simplesmente uma ruĆna e local habitual de graffittis. Um local que, como podem ver pelas fotos anexadas mais abaixo, nos contempla uma vista privilegiada para o infinito que o Oceano AtlĆ¢ntico nos transmite.
O projecto de construção desta Bataria começou a ser realizada sob a direção do capitão de engenharia Augusto Vieira Da Silva, sensivelmente a 16 de Junho de 1904. As obras de construção desta fortificação militar arrastaram-se por 4 anos, tendo ficado depois sob tutela do Governo do Campo Entricheirado de Lisboa, tornando assim esta Bataria parte de um grupo de fortificações semelhantes que se dedicavam à defesa do sector exterior do porto de Lisboa.
Esta instalação incluĆa uma construção que foi preparada para receber 4 peƧas de artilharia, todas elas viradas para o lado marĆtimo, ficando assim sem defesa Ć sua retaguarda. A principal função destas 4 peƧas de 75mm/L45 Krupp, era a defesa da faixa de torpedos fixos que defendiam a barra marĆtima onde se insere, impedindo assim que embarcaƧƵes suspeitas ou sem a devida permissĆ£o de avanƧo transpusessem a respectiva Ć”rea delimitada.
Um dos episódios mais relatados sobre essa prÔtica de defesa aconteceu no dia 2 de Maio de 1916, quando esta mesma Bataria recebeu ordem para fazer fogo sobre uma embarcação portuguesa que não respeitou a sinalização de paragem imposta pela Marinha. O tiro foi feito a 1400 metros e caiu a cerca de 30 metros à frente dessa tal embarcação que prontamente interrompeu a sua marcha.
Com o passar dos anos e com a estabilização do clima de paz, estas instalações, como tantas outras, acabaram por ficar desguarnecidas, acabando mesmo por serem desartilhadas em meados de 1943 e, mais tarde, foram entregues ao então Regimento de Artilharia de Costa, através de um Auto, datado de 15 de Maio de 1946. Após 5 anos, mais especificamente a 16 de Setembro de 1953, esta Bataria foi cedida ao Ministério da Defesa Nacional, com o objectivo de adaptar esta fortificação para instalar a torre de radar de controlo do porto de Lisboa, funções similares às que jÔ desempenhara anteriormente, mas agora com um aspecto renovado e uma tarefa em clima bem menos bélico.
Os anos passaram e estas instalaƧƵes ficaram desactivadas apartir de uma data que infelizmente nĆ£o consigo precisar, mas arrisco em dizer que estejam assim Ć cerca de 20 anos. Por um largo perĆodo de tempo o local era vigiado por militares, passando depois essa tarefa para uma empresa de seguranƧa privada que, anos mais tarde, tambĆ©m acabara por sair do local e entĆ£o apartir daĆ Ć© que se sucederam os consequentes saques e actos de vandalismo nas instalaƧƵes.
JĆ” foi noticiado o interesse do municĆpio onde se insere em adquirir o local e dar-lhe uma nova vida, pois Ć© um autĆŖntico mono ali presente numa zona tĆ£o vistosa e sedutora para todo o tipo de pĆŗblico, mas ao que parece "os termos do protocolo definidos entre as duas partes, nĆ£o satisfazem as ideias do executivo da CĆ¢mara", ao qual a entĆ£o responsĆ”vel pelo municĆpio afirma ainda que esta fortificação "nĆ£o estĆ” esquecida".
A minha visita decorreu sem problemas, um local onde até me senti bem à vontade para fotografar, pois apesar de ter explorado este local a solo, também estavam mais dois casais ali presentes que estariam a contemplar a privilegiada vista que esta construção tem para oferecer. Uma fortificação usada, nos seus tempos Ôureos, para fins defensivos, onde hoje nem se consegue defender da sua própria decadência.




















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