A Casa do Soldado š
O nosso Portugal mais genuĆno estĆ” repleto de memórias votadas ao esquecimento e totalmente entregues Ć inevitĆ”vel passagem do tempo, memórias mais Ćntimas e de um tempo onde a simplicidade vigorava naquele dia-a-dia, uma realidade infelizmente bem longĆnqua dos dias de hoje.
Encontrei esta casinha bem pelo meio de um dia dedicado a fotografar estes sĆtios, decidi fazer uns quilómetros de estrada com o objetivo de verificar uns locais que tinha marcado no mapa, dia esse que por acaso foi bastante rentĆ”vel no que toca Ć s imagens que captei e entrar nesta casa foi mais uma surpresa muito agradĆ”vel.
A casa estĆ” a ser praticamente toda "engolida" por um amontoado incrĆvel de silvas, confesso que ainda "sofri" um bocado para chegar atĆ© ela mas quem se dedica a estas aventuras jĆ” tem que estar mentalizado para estas pequenas barreiras naturais e, para mim, foi apenas mais um dia normal.
TĆpica casinha de aldeia e que pertenceu a uma famĆlia humilde, esta propriedade leva um abandono de mais de 25 anos, o amontoado de vegetação e a fragilidade do soalho em madeira concerteza confirmaram todos esses anos de total esquecimento. Nesta casa viveu um soldado do exĆ©rcito portuguĆŖs e, pelo que consegui apurar em duas cartas que encontrei, o senhor estava destacado em Lisboa e vinha uma vez por mĆŖs a casa ter com a sua esposa e os seus trĆŖs filhos, cujos dados sobre eles infelizmente nĆ£o consegui desvendar.
A casa dispƵe de quatro quartos, uma sala de estar/jantar jĆ” com o chĆ£o praticamente em fim de vida e uma cozinha bastante pequena e praticamente prestes a colapsar totalmente tambĆ©m, um sĆtio onde o perigo Ć© iminente quase em todas as suas divisƵes.
Acabei por me cruzar com o vizinho que vive praticamente paredes meias com esta casa, foi ele quem me confirmou que a casa estĆ” abandonada Ć mais ou menos 25 anos e ainda me disse que o proprietĆ”rio da casa após ter concluĆdo o serviƧo militar passou a viver mais a sua esposa exclusivamente da agricultura. Contou-me tambĆ©m que após o falecimento dos donos da casa, nenhum dos herdeiros nunca mais por ali apareceu e atĆ© Ć© ele quem corta as silvas em excesso provenientes desta casa quando atingem o seu terreno e a via pĆŗblica.
Foi assim mais uma aventura bastante proveitosa onde foi possĆvel descobrir mais um "tesourinho" do nosso Portugal mais genuĆno e que nos remete para tempos onde tudo era bem mais simples e autĆŖntico.. .
















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