A Casa do Soldado šŸš



 O nosso Portugal mais genuĆ­no estĆ” repleto de memórias votadas ao esquecimento e totalmente entregues Ć  inevitĆ”vel passagem do tempo, memórias mais Ć­ntimas e de um tempo onde a simplicidade vigorava naquele dia-a-dia, uma realidade infelizmente bem longĆ­nqua dos dias de hoje.
 Encontrei esta casinha bem pelo meio de um dia dedicado a fotografar estes sĆ­tios, decidi fazer uns quilómetros de estrada com o objetivo de verificar uns locais que tinha marcado no mapa, dia esse que por acaso foi bastante rentĆ”vel no que toca Ć s imagens que captei e entrar nesta casa foi mais uma surpresa muito agradĆ”vel.
 A casa estĆ” a ser praticamente toda "engolida" por um amontoado incrĆ­vel de silvas, confesso que ainda "sofri" um bocado para chegar atĆ© ela mas quem se dedica a estas aventuras jĆ” tem que estar mentalizado para estas pequenas barreiras naturais e, para mim, foi apenas mais um dia normal.
 TĆ­pica casinha de aldeia e que pertenceu a uma famĆ­lia humilde, esta propriedade leva um abandono de mais de 25 anos, o amontoado de vegetação e a fragilidade do soalho em madeira concerteza confirmaram todos esses anos de total esquecimento. Nesta casa viveu um soldado do exĆ©rcito portuguĆŖs e, pelo que consegui apurar em duas cartas que encontrei, o senhor estava destacado em Lisboa e vinha uma vez por mĆŖs a casa ter com a sua esposa e os seus trĆŖs filhos, cujos dados sobre eles infelizmente nĆ£o consegui desvendar.
A casa dispõe de quatro quartos, uma sala de estar/jantar jÔ com o chão praticamente em fim de vida e uma cozinha bastante pequena e praticamente prestes a colapsar totalmente também, um sítio onde o perigo é iminente quase em todas as suas divisões.
 Acabei por me cruzar com o vizinho que vive praticamente paredes meias com esta casa, foi ele quem me confirmou que a casa estĆ” abandonada Ć  mais ou menos 25 anos e ainda me disse que o proprietĆ”rio da casa após ter concluĆ­do o serviƧo militar passou a viver mais a sua esposa exclusivamente da agricultura. Contou-me tambĆ©m que após o falecimento dos donos da casa, nenhum dos herdeiros nunca mais por ali apareceu e atĆ© Ć© ele quem corta as silvas em excesso provenientes desta casa quando atingem o seu terreno e a via pĆŗblica.
 Foi assim mais uma aventura bastante proveitosa onde foi possĆ­vel descobrir mais um "tesourinho" do nosso Portugal mais genuĆ­no e que nos remete para tempos onde tudo era bem mais simples e autĆŖntico.. .



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